quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Foi uma vez...

  Eu tinha namorada. Mas não era o que foi em tempos, eu precisava de mais. Mais liberdade, mais segurança, mais paixão, menos amor. Menos amor porque em demasia torna-se em algo inválido. Pode até nem ser mesmo "menos amor" como disse, porque eu não quero falsidade e para isso não acontecer é necessário existir amor, mas preciso de menos "Amo-te", e menos "Estás onde?", e menos "Estás a fazer o quê?", e menos de todas essas coisas. Assim tornei-me no pior namorado.
  Ela, não a minha namorada, perguntou um dia se eu não queria ir ter com ela. Eu aceitei assim que soube que ela estava sozinha. Que nervosinho. Durante aqueles eternos cinco minutos desde minha casa até ao Campera pensei em tudo: "Ela está a gozar-me e não está lá", "Será que posso arriscar?", "Ela gosta de mim, só pode."... Tudo tretas. Tudo correu. Não digo se bem ou se mal, porque estávamos ligados, era uma amizade; contudo já não estamos, ela está ali e eu aqui, não é como antes, agora não consigo nem avista-la. Desapareceu.
  Eu parecia um miúdo. Estava tão nervoso que o meu pé não parava de se queixar quando estávamos sentados. E quando andávamos ela até perguntava se eu estava nervoso por andar tão depressa. Que vergonha.
  Estava feliz, por achar que ela também estava. Eu era um animal carente sem o amor de um bom dono, percebo isto agora. Queria agarrar outro dono e por isso já fazia tudo por ela. Era mesmo um cão que não quer um osso mas sim uma festa. Esse animal só queria que aquela mulher estivesse feliz, porém não ficou. Ficou saturada. Acabou.

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