segunda-feira, 19 de junho de 2017

  Apaixonamo-nos pelo que queremos ser. Eu sempre quis ser assim. Inteligente. Querido pelos outros. Bonito daquela maneira tão simples e tão única. Sempre quis vestir-me bem. sempre quis ter aquele mistério na atitude, aquela forma de estar que encanta, que contagia. Sempre quis ser assim. Um bom filho. Um bom amigo. Sempre quis ter tudo o que ela tem, o que ela é. E agora só quero tê-la comigo.  Os homens são assim. Eternamente frágeis. E eu digo isto porque o sou. Não frágil, nem pensar! Sou homem. Sou homem e, tal como todos, que querem crescer e ser super-qualquer-coisa, e doutores de qualquer coisa, e patrões de qualquer coisa, e superiores de qualquer coisa, não passam de crianças que sempre precisarão de uma mãe.  E eu já conheci a minha. Bonita. Inteligente. Sexy. Prática. Boa na cama e excelente em casa. É ela. O pilar que eu sempre quis ser para alguém. Um porto de abrigo. E Confesso: estou com ela porque gostava de ser como ela e porque gosto da maneira como se comporta e porque é linda e forte e porque não vassila. Gosto dela porque é o exemplo que eu sempre quis ser. E um homem é isto. Um querer-ser que quanto muito se parece com algo. Mas só o é com alguém ao pé.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Por vezes penso nisso como gente grande. Penso sem medos e com a alma a sorrir. Penso com saudade, penso com orgulho, penso como quem tem fome, penso com necessidade. Por vezes penso em casar, ter filhos e família, penso como quem sonha, penso em viver feliz para sempre.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Pequeno desabafo

  Ela está para mim como o oxigénio para ela. E bolas, não me cortem a respiração que eu tenho asma. Tenho asma, uma vida pela frente e vontade de estar com ela. Porque se não for com ela não sei com quem será. É quase como trocar a cor do céu pela do sol. Não me troquem o oxigénio por dióxido de carbono porque desse modo não dá mesmo...

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

escrita tremida

  Posso perder tudo. Podem tirar-me tudo. Amarrar-me. Prender-me com cadeados e bater-me até ficar inconsciente! Podem enviar-me para o deserto e posso até crer que tudo aconteceu por não crer em Deus. Posso querer desistir enquanto me soqueiam, mas quando me derem oportunidade: ai, eu levantar-me-ei e conquistarei tudo novamente. Sorrirei e contarei tudo o que sofri a tudo o que mexer e gabar-me-ei daquilo por que passei. Mostrarei que tudo é possível e que é mais fácil ainda quando o caos é geral.
  Mas não me arranquem o lado esquerdo do peito. Isso não! Se o fizerem vou começar a escrever, odeio escrever a tremer. Vou tremer e recordar tudo o que vivi. Vou querer sair e ir para o deserto. Vou querer que me batam, me amarrem. vou querer me deixem inconsciente... E quando passarem os primeiros minutos, vou voltar a mostrar do que sou feito. capaz de vencer, vou ensinar como é possível ser-se melhor.
  Mas não vou querer respirar...

sábado, 24 de agosto de 2013

A minha namorada é como um cornetto,
Não serve para comer mas sabe muitíssimo bem!
O sabor agrada a todos, chocolate,
Já o preço é elevadíssimo, e eu sou milionário.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Adoro escrever a correr,
Mesmo sem se entender
Ou sem nada haver para dizer.
Adoro escrever a correr
Porque o que sai, sai sem querer.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A história de um menino que não concorda com a adopção homosexual

  Mas não lhe digam que é ele que está errado. Não lhe digam que é ele quem não quer ver um mundo melhor. Não lhe digam sequer que ele tem uma mente fechada.
  Toda a sua vida foi magnífica até aos dez anos. Nunca os pais tinham discutido até então e nunca houve falta de nada que não fosse necessário. Mas isso terminou. E terminou sem explicações. O pai saíu de casa por uns dias e nunca mais voltou. A mãe agarrou-se aos cigarros, ficou com as dívidas e foi pai e mãe.
  E isso é a única coisa que ele admite. Ter pai e mãe apenas com a presença de um ser. Porque ele sabe o que é descobrir que o pai gosta de pais e sabe que nasceu porque o pai se negava a isso. Pobre era a sua mãe que nunca o percebeu. Amava-o.
  E não lhe digam que ele está errado. Porque ele sabe o que é ver os colegas a falarem dos seus pais como sendo os super-heróis da família. Ele sabe o que é não poder dizer o mesmo.
A história da minha vida
É coisa que não interessa.
Trabalho-casa, casa-trabalho;
Esforço-empenho, cansaço-desgraça.

A história da minha vida
É coisa que não interessa.
Porque há histórias mais emocionantes,
Histórias menos sufocantes.

E se sobre mim tivesse de escrever
Uma só palavra seria demais,
Pois palavra nenhuma descreve
Coisa alguma que possa vir a ser mais.
                                                30 Julho 2013

Mas mais não é demais
E sem querer escrevi.
Já aqui estão umas palavrinhas
E eu nem me apercebi.
                                                08 Agosto 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Há dias e dias

Há dias e dias.
E há dias em que me apetece apenas amar.
Amo tudo. Amo a vida que tenho
E a que levo,
Amo a bicicleta que me leva,
A mala que me fica bem
E a namorada que me tem.
Amo assim, com clareza,
E alguma firmeza. A necessária.

Há dias e dias.
E há dias em que me apetece passear à beira mar.
Calmamente e até ao dia seguinte.

domingo, 28 de abril de 2013

Fés

  A igreja assusta-me. Perdão, não é a igrejas, são as missas! Há igrejas lindíssimas e devem ser visitadas, apreciadas. Mas as missas, perdão, assustam-me!
  Digo isto porque frequento missas, e não me tomem por ateu. Antes prefiro que me chamem parvo por frequentá-las, mas ateu não.
  Mas foquemo-nos no assunto. Pessoas que dão dinheiro para perdoarem pecados estão a pecar por subornar. Subornarem-se a si mesmas. Pobres, essas pessoas, que cantam deixas na missa sem saberem o que estão a dizer. Assusta-me ficar a ver bocas a mexerem-se todas ao mesmo tempo. Parece que desligo de tudo, naquele momento só vejo bocas. Bocas medonhas.
  E depois o padre... Dá a sua homilia e metade da igreja nem sequer o vê, nem quero imaginar quantos o ouvem... Chego à conclusão que são pessoas que vão à missa porque estão habituadas a fazê lo desde cedo, pessoas que sabem até o que o padre vai dizer a seguir e dizem-no mas apenas porque estão habituadas. Pessoas beatas. Pessoas estranhas...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Calhou

  Escrevo quando calha. E calha, normalmente, quando escrevo. Isto é: palavra puxa palavra assim como os plurais puxam S's.
  Escrevo quando calha. E calha, normalmente, quando as emoções estão a trovejar. Penso que isso é vulgar no mundo dos grandes escritores, e não é isso que me aflige. Aflige-me sim o facto de querer escrever para público velho e receber elogios adolescentes. Querido público, isso é medonho. E não quero criticar os que me assistem, pois é esse público que me faz ser crítico.
  Escrevo quando calha. E calha, normalmente, não saber o que quero. Mas continuo a escrever. Palavra puxa palavra e as emoções dentro de mim estão numa tempestade maior que a que me fez escrever a primeira palavra.
  Parece-se quase como um vírus.  Não o vejo mas ataca. E sendo eu o único médico para esta doença, até me dá um certo gozo tentar descobrir a cura. Cura não encontro, mas o gozo de tentar encontrar cura, cura isso. Cura e descura, porque ainda não levantei o lápis do papel. Mas pouco importa depois do gozo que vou tendo...
  Volto assim, com a mão já suada a lembrar-me que escrevo como um adolescente. Escrevo quando calha. E calha, normalmente, parecer autista quando escrevo. Desligo-me do mundo - como um adolescente perdido - e quando acordo já tenho duas páginas escritas. Escritas com palavras que não sei de onde vieram e que só fazem sentido a adolescentes.

pequenos desabafos

  Não sei.
  Fico perdido. Ora penso em cumprir objectivos, alcançar sonhos; ora penso em apenas viver. Não que seja mau, não que desista, mas viver no melhor sentido da palavra. Viver realmente. Sem confusões, nem dramas. Com chatices para dar ânimo e desgraças para acalmar.
Mas até isso de viver tem o senão. E o que é viver sem sonhos? como posso apenas viver sem tentar alcançar sonhos? Sem cumprir objectivos que me deixem a cabeça cheia?
  Bem, vou deixar andar. Afinal, viver não é também deixar andar? Estarei errado? Confuso?

domingo, 10 de março de 2013

São coisas


            Podem ser coisas pequenas e absurdas. Coisas insignificantes. Mas são essas as coisas a que eu dou máximo valor.
            Se eu não oiço que é para ir para a mesa, o prato fica limpo, em cima da dita cuja, até eu me lembrar de ter fome. Mas se, por outro lado, eu estiver na mesa e ela não, voltam a chamá-la para a comida não arrefecer e só depois é que eu vejo a comida no meu prato.
            E sim, pode parecer insignificante. Confirmo. Mas é. E se é, eu reparo. Aguenta Autor…
            Sou senhor de não usar telemóveis. Uso pouco porque concordo que não seja fundamental para a sobrevivência social. Mas por vezes preciso dele, óbvio. Peço-lhe. Peço-lhe e ela não mo empresta. Mesmo que tenha estado duas horas e meia há espera dela. E mesmo que isso não tenha acontecido. Mesmo que não lhe tivesse feito qualquer favor – porque nem sou de os cobrar – uma vez que eu sou senhor de não usar telemóveis, também não os carrego. Se não os carrego também não peço que mo carreguem… Assim, sobra para ela. Sobra para ela pouco porque estamos em crise, mas são coisas pequenas, absurdas e insignificantes as coisas a que eu dou máximo valor.
            Passa-se, por volta desta hora, para a inveja. Erro. Não invejo alguém que nunca suou o que eu já suei. Não invejo alguém que, em tempos que nem dinheiro para o telemóvel existe, não se rale com isso. Porque antes mesmo do assunto ficar negro já eu suava com nuggets. Ela não. Mas não consigo invejar alguém que mesmo a viver no escuro se importe mais com namoros mal resolvidos do que com a própria escuridão. Eu? Eu sentia a brisa fria do orvalho no negro das cinco da manhã quando ia carregar electrodomésticos.
            “Se não querias essa vida, não a tinhas”. Certo. Concordo. Nesse caso nem se carregavam telemóveis, nem se fumava, nem se estudava, nem se comia. “Mas mais escuro não podia ficar”. Certo. Não ficaria mais escuro. Mas não é sonho meu viver sem ver. E prefiro ver coisas pequenas, absurdas e insignificantes do que não ver nada.
Mas parece que o negro, que já não é tão intenso, as deixou encadeadas. Lamento. Não sou vítima, mas não me dêem palha quando há erva.


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

 

 

 

O Designer é como um Deus.
Cria. Desenvolve. E depois deixa por conta do Povo.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A vida de designer só deixa tempo para criar. Será isto mau?

domingo, 14 de outubro de 2012

A vida que não queres

  Os adultos passam a vida a adiar. Adiaram a minha ida à Disney Land aos seis anos. Adiaram a minha entrada para o futebol aos oito anos. A bicicleta aos dez e aos doze a ida regular ao cinema quando saiam os novos filmes de desenhos animados. Adiaram, os adultos, a mota aos dezasseis e o carro aaos dezoito. 
  Depois comecei eu a adiar... Festivais aos vinte e dois e a ida a Marrocos aos vinte e cinco. Filhos aos vinte e sete e a casa em Alfama, no centro do que foi a minha vida, aos trinta e cinco. Entretanto, depois da vida não vivida, dou por mim a criticar os jovens vizinho que brincam com as crianças no meio da rua.

sábado, 13 de outubro de 2012

Objectivo primário: Criar.
Família, filhos e coisas.

.

terça-feira, 9 de outubro de 2012


  Sou convencido. Convencido sem vergonha. Sem vergonha de ser dedicado. E mesmo que a minha delicadeza não seja superficial, pode ser notada. Mas notada, só com delicadeza. Com delicadeza porque eu sou delicado. Sou delicadamente convencido. Convencido por ser delicado.

segunda-feira, 11 de junho de 2012


A beleza das coisas está num conjunto. Eu mostro um objeto de sentar para espaços interiores. Mostro um conjunto de pormenores bem estrutudados. Um conjunto ergonómico. Ecológico.
Para aqui chegar apenas precisei de querer realmente aqui chegar. As difículdades são pormenores. Eu mostro um conjunto de pormenores bem estruturados.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Posso parecer, por vezes, criança. Mas no que toca a estas brincadeiras jogo como um homem. Um homem que faz escolhas com a cabeça a olhar para a frente de mãos dadas com o coração.