segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Arte da observação

  Foi no Vasco Da Gama. Eu estava num jardim com ela. Muitas árvores. Muitos pássaros. No meio escorregava um canal com águas e pedras, ao fundo via-se uma cascata. Ambiente perfeito para um passeio a dois, e foi...
  Sentá-mo-nos naquele comprido banco de pedra e rapidamente percebi que o arquitecto que aquilo tinha desenhado, quis que a gente que ali passasse pensasse de outra forma. Deixou-nos um dia uma frase naquele banco, dizia "O Pássaro voa. A Flor dança. Mas eu ouço sempre o surdo som das Ondas." Não foi difícil interpretar que Ele pouco se importava com aquele belo barulho dos pássaros ou todo aquele verde que ali meteu. O que fazia vibrar era, e devia sempre ser, aquela água.
  Aquele som de fundo que ninguém ouve era maravilhoso. Mas claro, aquela cascata, tal como aqueles pássaros e aquela brisa a passar entre a florestação já não é sentida por ninguém. Está errado, claro que está, mas acalmei-me. Decidi pensar como o artísta. O que ele queria dizer com o "surdo som" só podia ser a cascata, ao fundo. Saboreei isso. Soube bem, muito bem. Mas começou a chatear, já não conseguia ouvir mais nada. Voltei à reflexão. Sabe sempre bem refletir, e quanto mais, melhor. Melhor sim, a sabedoria apoderou-se de mim e percebi! Era mesmo o "surdo som das ondas"! Era a água, transparente e pura, a passear entre as pedras. Eram aquelas ondas! A partir daí, não custou mais ouvir aquilo. Foi fenumenal...


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