segunda-feira, 16 de maio de 2011

Marcas de um passado

  Agora, reflectindo, como sempre com toda a alma tentarei aproximar-me da beleza racional do padre. A beleza do poder das palavras de António Vieira. Aviso desde já que não serei meigo nem usarei eufemismos se o caso não for de pura ironia. Não terei sequer vergonha de ser directo, porque Ser é importante.
  Mas falemos do que quero realmente falar. O motivo porque peguei na caneta. O motivo que me está a matar a cabeça. Eça de Queiroz! Como poderá alguém gostar da sua mais famosa obra?! Como pode alguém apreciar "Os Maias" com gosto, com prazer?!
  Um dia ouvi, dito pelo bestial Miguel Esteves Cardoso, "A Vida é uma coisa, o Amor é outra." Ele avisa-nos. Ele avisa-nos que na podemos confundir, nem é permitido sequer ousar baralhar ambos. Mas Eça Faz isso, não há uma única linha n'"Os Maias" em que não se confunda viver com amar. Aprendi com Miguel que um minuto de amor vale uma vida. Nem sequer é preciso mais preciso viver... Mas em "Os Maias" não acontece isso! Ora é um que vive para que os outros o amem, ora é outro que vive para viver melhor. Está errado!
  Nem criticaria que essas tivesse escrito tudo isso, com o intuito de criticar esse modo de viver. Mas não, não é isso. O motivo é mesmo o facto de não acreditar no Amor. Ele não acredita no Amor! Esforcei-me, a serio que me esforcei por ler e entender o autor, porque quando leio é para perceber e receber uma mensagem. Mas não, não consegui continuar, foi impossível!
  Este homem, a certa altura tem a coragem de dizer ao mundo qualquer coisa como "Não vale a pena correr nem para o amor, nem para o poder, nem para a glória." Isto está errado. Está errado! Eu, que não consigo acreditar em tudo o que a Bíblia diz (talvez por ter vários autores, varias opiniões, não sei), estou de acordo cada vez que o personagem principal fala. Jesus diz que sim, Jesus diz que o Amor é o sustento da vida, e se Ele diz isto, porque não acreditar? Porque não pensar como Ele? Porque não correr pelo Amor? Isso vale a pena! É claro que vale! E, tendo Amor, o poder e a glória também são ganhos!
  Com toda esta conversa, pode pensar-se que eu acredito em Deuses e milagres. Não se enganem! Tal como em "Sidartha" um dia Herman Hesse reflectiu, "Sou capaz de admirar mais uma pedra que um Deus, porque uma pedra já foi Terra, e pode também já ter sido um Flor, ou um Homem.", assim também eu reflicto. O meu Deus existe! Não sou de todo ateu, o meu Deus existe. O meu Deus é a Natureza! Quanto a milagres, também acredito. Acredito que o Amor um dia me aparecerá!
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