quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Se parece, então é porque é...








                                                                                                            Materiais: Tinta da china sobre papel


  A mim parece-me duas almas. dois amores. Unidos pelo coração e com plena consciência do que fazem. Voam.
  Porém, nem tudo é bonito, existe muito negro. muita mentira talvez. Ou então é o mundo em que vivemos, um mundo tão cheio de ódio que mete medo, ate mesmo às almas... 



 Deixo este poema de António Gedeão só para uma pequena reflexão:

IMPRESSÃO DIGITAL
Os meus olhos são uns olhos,
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem lutos e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.
            In Movimento Perpétuo (1956)
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